Raíssa

Idade: 35 anos
Natural: Rio de Janeiro
Atuações profissionais anteriores: Trabalhava como prostituta, largou a prostituição e formou-se em cabeleireira e cozinheira, com especialidade em frutos do mar.
Trajetória até a cooperativa: A trajetória contada por Raíssa se deu por meio de uma viagem com alguns amigos para Paraty, com o objetivo de acampar. O acampamento acabou se prolongando por três meses e ela se viu sem dinheiro.
Por ser uma pessoa de família humilde, Raíssa narra que estava disposta a qualquer atividade que pudesse lhe dar subsistência e a única oportunidade naquele momento era de trabalhar na rampa e no arado, como ela chama o seu local de trabalho no antigo lixão de Paraty.
Raíssa, ao falar de sua relação com o trabalho na cooperativa, demonstra uma gratidão imensurável por Cristina, presidente da cooperativa, que lhe oportunizou emprego diante da situação de total fragilidade financeira. Em relação ao ambiente de trabalho ou possíveis dificuldades de sua profissão, ela não fornece muitas informações, preferindo focar no lado positivo.
Camila

Idade: 36 anos
Natural: Rio de Janeiro
Atuações profissionais anteriores: Trabalhava como Gari em regime celetista.
Trajetória até a cooperativa: A trajetória contada por Camila é narrada através da amizade que mantinha com Raíssa, quando ambas moravam ainda no Rio de Janeiro. Ela conta que quando foi para Paraty, vislumbrava uma oportunidade de emprego em um salão de beleza, que Raíssa dizia trabalhar. Entretanto, ao chegar no novo destino, Raíssa contou a verdade para a amiga, que encarou o trabalho no antigo lixão em prol de sua subsistência.
Camila diferencia o trabalho de gari da atividade de catadora, e diz gostar do seu trabalho na cooperativa: “Fiquei três anos varrendo rua, mas pela necessidade de pagar meu aluguel, de comer. Pra não ficar na rua, eu tive que aturar tudo que eu aturei nesses três anos, ainda fui roubada porque eles não pagaram a gente direito e peguei problema de saúde”.
Na cooperativa, sua relação com o trabalho se transformou:
“eu estou tendo uma experiência agora em que eu fico cansada, mas é aquela cansada de quem faz uma coisa que gosta, então aquele cansaço é gratificante, entendeu? É um cansaço assim de satisfeita. Antes eu chegava em casa cansada, estressada, tinha dias que não dava vontade de ir. Aqui não, eu acordo, e as vezes até sonho com esse canto”.
Margarida

Idade: 68 anos
Natural: Recife – PE
Atuações profissionais anteriores: Trabalhava como caseira.
Trajetória até a cooperativa: A história contada por Dona Margarida é de vinda de Recife para Angra dos Reis com 18 anos em busca de oportunidade de trabalho. Ela trabalhou por 20 anos como caseira em Paraty, permanecendo por longo período em duas residências e depois mudou-se para Ubatuba, onde morou por um tempo, fez casa, mas depois resolveu voltar a Paraty.
Ao retornar não se viu mais com o perfil para trabalhar como caseira, recorrendo desse modo ao trabalho no lixão. Dona Margarida narra a dureza daquele ambiente de trabalho, dos odores, das crianças que ali moravam e da necessidade daquela atividade para a manutenção do seu núcleo familiar formado por sua filha, seus netos, seus companheiros e seus animais.
Suas memórias do trabalho no lixão resgatam situações duras, como encontrar um feto em meio aos materiais coletados, experiências com racismo e estigma de sua profissão e também da morte de colegas de trabalho.
Jarlan

Idade: 28 anos
Natural: Bahia
Atuações profissionais anteriores: Jarlan trabalhou em um mercado e nas marinas de encarregado, antes de trabalhar na cooperativa.
Trajetória até a cooperativa: Jarlan conta que veio da Bahia para o Rio e morou com a sua irmã. Entretanto, ao se envolver com meninas jovens, sua irmã que é evangélica pediu para que ele se retirasse da casa. Trabalhou em um mercado e nas Marinas com o intuito de comprar um carro, mas acabou adquirindo dívidas bancárias e com o desemprego acabou indo para a cooperativa por intermédio de seu sobrinho, que já estava atuando lá, recolhendo com o motorista os materiais da coleta seletiva.
